Desmontagem de Divisórias: Como Fazer Sem Prejuízo

Vista ampla de um escritório em reforma com profissionais realizando a desmontagem de divisórias em grande escala.

Reforma do escritório, mudança de endereço, devolução do imóvel alugado. Seja qual for o motivo, você tem divisórias que precisam sair. E o receio é justificado: começar pelo lado errado pode entortar perfis de alumínio, estilhaçar vidro ou transformar painéis reaproveitáveis em entulho.

Em mudanças, outros itens fixos também exigem cuidado técnico na remoção, como mostra nosso artigo sobre como desmontar painel de TV.

Desmontagem de divisórias é serviço técnico: exige sequência certa, ferramentas adequadas e conhecimento do sistema construtivo. A seguir, você encontra os tipos de divisória mais comuns, o custo real do serviço, o checklist de preparação e o destino correto do material depois da remoção.

Desmontagem e demolição não são a mesma coisa

Na prática, muita gente trata divisória como parede de alvenaria: vai com marreta e serra tudo. O resultado? Perfis de alumínio empenados, painéis rachados e um custo de reposição que poderia ter sido zero.

Desmontagem é desmonte seletivo. Cada peça sai na ordem inversa da montagem, preservando componentes para reuso, venda ou reciclagem. Os perfis metálicos (montantes e travessas) são a parte mais cara de uma divisória. Um profissional experiente os remove intactos em minutos. Alguém sem técnica pode inutilizá-los em segundos. A mesma lógica vale para outros móveis modulares, como explica nosso guia sobre como desmontar armário de cozinha sem danificar componentes.

Divisórias modulares já são projetadas para isso. A norma ABNT NBR 11673 regulamenta divisórias leves internas moduladas e prevê a remoção frontal dos painéis sem deslocar peças adjacentes, permitindo reuso total. O sistema foi pensado para montagem e desmontagem repetidas. O problema aparece quando quem desmonta desconhece essa lógica.

Close detalhado de mãos utilizando parafusadeira técnica durante o processo de desmontagem de divisórias de madeira.

Cada tipo de divisória exige cuidados diferentes

O material da divisória define a técnica, as ferramentas e os riscos. Três tipos dominam o mercado brasileiro.

Divisórias navais e de Eucatex

As mais comuns em escritórios e salas comerciais. Painéis de madeira naval ou chapa de Eucatex encaixados em perfis metálicos, fixados do piso ao teto. A desmontagem segue uma lógica rígida: primeiro o vidro visor (se houver), depois a porta e o batente, em seguida os painéis e por último os perfis.

Inverter essa sequência causa problemas reais. Remover um perfil antes de soltar os painéis pode fazer placas inteiras caírem, rachando na queda. A regra prática que montadores experientes seguem: sempre comece pela porta.

Drywall (gesso acartonado)

Placas de gesso parafusadas em perfis de aço galvanizado. A remoção exige atenção redobrada com instalações elétricas e hidráulicas embutidas na estrutura. Antes de soltar o primeiro parafuso, é preciso mapear o que passa por dentro daquela parede.

Diferente das modulares, as placas de drywall dificilmente saem inteiras para reuso. Mas os perfis metálicos, sim. E o gesso tem destinação regulamentada por lei (mais sobre isso adiante).

Divisórias de vidro

O maior risco entre os três tipos. Vidro temperado pode sofrer ruptura espontânea durante o manuseio, e os estilhaços são perigosos. A remoção profissional usa ventosas industriais e manipuladores a vácuo para manusear painéis grandes com segurança. Sem esse equipamento, o risco de acidente é alto.

Se suas divisórias incluem vidro temperado ou laminado, esse é o caso mais claro em que contratar um profissional não é economia opcional. É segurança.

Quanto custa a desmontagem de divisórias

O valor varia conforme cidade, tipo de material, volume e acesso ao local. Mas existem referências concretas.

Um pregão eletrônico do Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu os seguintes valores estimados para serviços de divisórias:

  • Desmontagem de divisórias cegas (piso ao teto): R$ 24,14 por m²
  • Desmontagem de divisórias com visor de vidro: R$ 22,50 por m²
  • Remontagem de divisórias cegas: R$ 45,00 por m²
  • Fornecimento e instalação de divisórias navais novas: R$ 250,00 por m²

Esses valores são referências institucionais. No mercado privado, os preços flutuam conforme região e profissional, mas a ordem de grandeza ajuda a calibrar expectativas.

Agora, faça a conta inversa. Um metro quadrado de divisória naval nova custa cerca de R$ 250. Se ao desmontar sem técnica você inutiliza 20 m² de divisória que poderiam ser reaproveitados, são R$ 5.000 em material perdido. A contratação profissional para desmontar esses mesmos 20 m² custaria por volta de R$ 480. A diferença fala por si.

O que verificar antes de começar a desmontagem

A maioria dos problemas em desmontagem de divisórias acontece por falta de planejamento, não por falta de habilidade. Antes de agendar o serviço, passe por este checklist.

Instalações elétricas e de dados

Divisórias de escritório frequentemente escondem fiação elétrica, pontos de rede, tomadas e interruptores embutidos. Desmontar sem desligar o circuito correspondente no quadro elétrico é receita para acidente. Mapeie o que passa por dentro da estrutura antes de mexer em qualquer coisa.

Fixação no piso

Alguns sistemas são chumbados no piso com parafusos ou buchas. Ao remover os perfis de base, ficam furos e irregularidades. Se o piso é vinílico, porcelanato ou carpete, a remoção descuidada pode causar danos que custam mais para reparar do que a própria desmontagem.

Regras do condomínio ou prédio comercial

Prédios comerciais geralmente têm horários permitidos para obras, exigem uso de elevador de carga e pedem comunicado prévio à administração. Alguns exigem até seguro contra danos às áreas comuns. Ignorar essas regras pode gerar multas e atrasar o cronograma. Consulte o regulamento interno antes de agendar.

Proteção do entorno

Desmontagem gera poeira, principalmente com drywall. Proteger móveis, equipamentos eletrônicos e pisos com lona plástica é medida simples que evita custos extras de limpeza ou reparo. Se o espaço continua operando durante o serviço, o isolamento da área com tapumes ou plástico é obrigatório para não afetar a rotina.

Destino do material: reuso, reciclagem e descarte legal

Desmontar é só metade do trabalho. A outra metade é dar destino correto ao material. E aqui entram obrigações legais que muita gente desconhece.

Reuso de painéis e perfis

Divisórias modulares (navais, Eucatex) desmontadas corretamente permitem reuso total. Painéis e perfis podem ser remontados em outro layout, outro andar, outro endereço. Muitas empresas desmontam divisórias justamente para reinstalá-las em um novo espaço. Quando bem conservadas, essas peças também têm valor de revenda.

Reciclagem de gesso (drywall)

Se as divisórias são de drywall, as placas de gesso têm destinação regulamentada. A Resolução CONAMA 431/2011 reclassificou o resíduo de gesso como Classe B (reciclável). Na prática, o gesso não pode ir para aterro comum. Deve ser separado dos demais resíduos e enviado para usinas de reciclagem, onde é reprocessado para fabricação de novas placas ou uso agrícola.

Rastreamento e documentação

Em estados como São Paulo, o transporte de resíduos de construção deve ser registrado no sistema SIGOR, módulo MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos), gerenciado pela CETESB. Esse documento rastreia o resíduo do local de origem até a destinação final. Sem ele, o gerador do resíduo (você ou sua empresa) pode ser responsabilizado por descarte irregular.

O ideal é que a empresa contratada para a desmontagem cuide também da destinação. No pregão do TST citado acima, por exemplo, a contratada ficou obrigada a coletar e destinar materiais inutilizáveis, preferencialmente para reciclagem. É um padrão que faz sentido exigir em qualquer contratação, pública ou privada.

Por que a desmontagem de divisórias pede um profissional

Divisórias parecem simples quando montadas. Painéis parafusados, encaixados, presos entre perfis. A tentação de resolver por conta própria existe, principalmente quando o orçamento aperta.

Mas o risco não é só estragar material. Um painel de vidro temperado mal manuseado pode estilhaçar e causar ferimento grave. Uma divisória de 2,10 metros de altura, solta sem escoramento, pode cair sobre alguém. E o descarte irregular do material gera multa ambiental para o responsável pelo espaço.

Existe também o lado econômico menos visível. Um estudo sobre demolição seletiva conduzido no Rio de Janeiro estimou que o desmonte seletivo custa cerca de R$ 90 por tonelada, enquanto o recolhimento público de entulho descartado irregularmente pode chegar a R$ 250 por tonelada. Fazer certo desde o início sai mais barato do que remediar.

Se você precisa desmontar divisórias em escritório, loja ou galpão, o caminho mais seguro é contratar um profissional que conheça o sistema, tenha as ferramentas certas e se responsabilize pela destinação do material. No Montador Local, você encontra profissionais especializados em desmontagem de móveis e divisórias corporativas, com cobertura em mais de 2.000 cidades brasileiras.

Vista ampla de um escritório em reforma com profissionais realizando a desmontagem de divisórias em grande escala.

Perguntas frequentes

Quanto custa desmontar divisórias por metro quadrado?

Referências de pregões públicos indicam valores entre R$ 22,50 e R$ 24,14 por metro quadrado, dependendo do tipo (cega ou com visor de vidro). O preço final varia conforme região, complexidade do sistema e necessidade de descarte do material.

É possível reaproveitar divisórias depois da desmontagem?

Sim, desde que a desmontagem siga a sequência correta. Divisórias modulares (navais, Eucatex) são projetadas conforme a norma ABNT NBR 11673 para permitir remoção e remontagem sem danos aos painéis e perfis metálicos.

Preciso de autorização do condomínio para desmontar divisórias?

Na maioria dos prédios comerciais, sim. O regulamento interno costuma exigir comunicado prévio à administração, uso de elevador de carga e respeito a horários permitidos para obras. Consulte antes de agendar o serviço.

O que fazer com o gesso descartado de divisórias de drywall?

O resíduo de gesso é classificado como Classe B (reciclável) pela Resolução CONAMA 431/2011. Não pode ir para aterro comum. Deve ser encaminhado a usinas de reciclagem de gesso ou áreas de transbordo e triagem (ATTs) licenciadas.

Qual o risco de desmontar divisórias de vidro sem profissional?

Alto. Vidro temperado pode sofrer ruptura espontânea durante o manuseio, causando ferimentos graves por estilhaços. A remoção segura exige ventosas industriais, EPIs específicos e equipe treinada para esse tipo de material.

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