A TV mostra “sem sinal”, o cabo está com a ponta quebrada ou você acabou de comprar uma antena nova e ela veio sem o conector. A situação é comum: 85,8% dos domicílios brasileiros ainda captam TV aberta por antena, e todo esse sinal depende de um pedaço de cabo coaxial bem terminado. Montar o cabo de antena de TV é um procedimento mecânico, não elétrico. Você não precisa de curso de eletricista. Mas precisa de método, porque um único fio da malha encostando no condutor central já mata o sinal por completo.
Aqui você vai aprender a preparar a ponta do cabo, instalar o conector F (pelos três métodos que existem), conectar tudo e, se o sinal não aparecer, diagnosticar o problema antes de culpar a antena.
O que tem dentro do cabo coaxial
Cabo coaxial parece um cilindro preto qualquer, mas o que importa está escondido dentro dele. São quatro camadas, de fora pra dentro:
- Capa externa (preta, de PVC): protege contra abrasão e umidade.
- Malha metálica (ou malha + folha de alumínio): funciona como blindagem contra interferência. Quanto maior a cobertura, menos ruído entra.
- Dielétrico (branco, de espuma ou plástico sólido): isola a malha do condutor central. Se você cortar esse material, o cabo perde a geometria e distorce o sinal.
- Condutor central (fio de cobre ou aço cobreado): carrega o sinal da antena até a TV.
Para TV, a impedância padrão é 75 ohms. Todo o sistema (cabo, conector, divisor, entrada da TV) precisa seguir esse padrão. Se você conectar um cabo de 50 ohms (usado em rádio e Wi-Fi), vai ter perda de sinal mesmo com a montagem perfeita.
O objetivo de montar o cabo é simples: expor o condutor central, posicionar a malha corretamente e fixar o conector sem que as camadas se toquem onde não devem.

RG6 ou RG59: qual cabo comprar
Se você vai comprar cabo novo, vá de RG6. Um guia técnico recomenda RG6 de 75 ohms com blindagem dupla ou quad-shield para sinais digitais HD e 4K UHD. O RG6 tem condutor mais grosso, dielétrico maior e menos perda por metro, especialmente em frequências altas.
O RG59 não está “errado” e ainda aparece em muitas instalações. Funciona em trechos curtos (até 5 metros, por exemplo). Mas para instalação nova, comprar RG59 é economizar R$ 20 e abrir mão de margem de sinal que faz diferença em canais digitais.
Um detalhe que pega muita gente: o conector F de RG6 não encaixa em RG59 (e vice-versa). O diâmetro externo é diferente. Na hora da compra, confira se o conector é compatível com o cabo que você tem em mãos.
Ferramentas e materiais necessários
A lista muda conforme o tipo de conector que você vai usar, mas o kit base é sempre o mesmo:
| Item | Para que serve | Estimativa de custo |
|---|---|---|
| Cabo coaxial RG6 (metro) | Transporta o sinal da antena à TV | R$ 2 a R$ 5/metro |
| Conectores F (2 unidades, mínimo) | Conectam o cabo à antena e à TV | R$ 1 a R$ 5 cada |
| Decapador coaxial | Corta as camadas na medida certa | R$ 25 a R$ 50 |
| Alicate de crimpagem ou ferramenta de compressão | Fixa o conector no cabo (exceto rosca) | R$ 40 a R$ 80 |
| Estilete ou faca afiada | Alternativa ao decapador (menos precisa) | Já tem em casa |
| Fita de autofusão e/ou silicone | Veda conexão exposta ao tempo | R$ 8 a R$ 20 |
Se você vai montar um ou dois cabos na vida, o conector de rosca dispensa alicate especial. Se pretende fazer mais conexões (instalação de várias TVs, por exemplo), o investimento no alicate se paga rápido.
Como preparar a ponta do cabo
Essa etapa é a mesma para qualquer tipo de conector. E é aqui que a maioria das montagens falha. Preparação mal feita gera mau contato, curto entre malha e centro, ou conector que solta com o tempo.
Com o decapador coaxial:
- Corte o cabo reto, sem esmagar. Use alicate de corte ou lâmina nova. Uma ponta amassada dificulta a entrada do conector.
- Encaixe o decapador e gire de 3 a 5 voltas. O decapador de dois estágios faz dois cortes simultâneos: um que remove a capa externa e outro que corta o dielétrico. O guia IDEAL orienta expor cerca de 1 polegada de condutor central e remover aproximadamente 1/4 de polegada da capa externa, mas a medida exata varia com o modelo do conector. Siga o gabarito que veio na embalagem.
- Retire o anel de capa cortada e puxe o cilindro de dielétrico solto. O condutor central deve ficar limpo e reto.
- Dobre a malha metálica para trás, sobre a capa externa. Todos os fios. Um único fio encostando no condutor central já compromete o sinal.
- No RG6, a folha de alumínio que fica colada no dielétrico branco NÃO deve ser removida. A instrução da IDEAL é clara: preserve a folha aderida ao dielétrico. Ela faz parte da blindagem.
Sem decapador, dá pra fazer com estilete. Mas o risco de cortar a malha (perdendo blindagem) ou arranhar o dielétrico (criando ponto de curto) é muito maior. Se o cabo for longo e externo, vale os R$ 30 do decapador.
Três métodos para instalar o conector F
Conector F de rosca (twist-on)
É o mais simples. Não precisa de ferramenta especial. O corpo do conector tem rosca interna que agarra na capa do cabo.
- Com a ponta preparada (malha dobrada para trás, condutor exposto), encaixe o conector sobre a malha.
- Gire o corpo do conector no sentido horário, empurrando ao mesmo tempo. O dielétrico branco deve subir até ficar nivelado com a base interna do conector.
- Continue rosqueando até sentir resistência firme. O condutor central deve ultrapassar levemente a rosca frontal do conector (1 a 2 mm).
- Inspecione: nenhum fio da malha pode estar visível na frente, e o pino central deve estar reto.
O conector de rosca funciona bem para reparos rápidos. O ponto fraco é a retenção mecânica: com o tempo, vibração ou puxão acidental podem afrouxar a conexão. Para instalação definitiva, os dois próximos métodos são mais confiáveis.
Conector F de crimpagem
O conector de crimpagem tem um anel (ou corpo cilíndrico) que é comprimido sobre o cabo usando um alicate específico. O resultado é uma junção permanente.
- Prepare a ponta conforme descrito acima.
- Deslize o anel de crimpagem pelo cabo antes de posicionar o corpo do conector (em alguns modelos o anel já faz parte da peça).
- Empurre o conector até o dielétrico ficar na posição indicada.
- Posicione o conjunto na matriz do alicate de crimpagem. O manual IDEAL orienta centralizar os três anéis traseiros na matriz e apertar até a ferramenta liberar automaticamente.
- Verifique: o conector não deve girar livremente nem deslizar. O pino central deve estar reto e visível.
A crimpagem é rápida e firme, mas tem uma desvantagem prática: se você errar, não dá pra desfazer. Precisa cortar a ponta e recomeçar.
Conector F de compressão
É o método preferido por instaladores profissionais. Usa uma ferramenta que empurra o corpo do conector sobre o cabo de forma uniforme, criando a terminação mais consistente das três.
- Prepare a ponta normalmente.
- Insira o conector de compressão sobre o cabo preparado. O dielétrico deve ficar visível no furo de referência.
- Coloque o conjunto na ferramenta de compressão (ex: IDEAL 30-793) e comprima até o fim do curso.
- Após a compressão, o conector deve ficar visivelmente mais curto que antes do processo. O pino central ultrapassa ligeiramente a borda da porca.
A ferramenta de compressão custa um pouco mais que o alicate de crimpagem, mas a taxa de acerto é maior. Se você está montando cabos para várias TVs ou para um condomínio, compensa.
Rosca, crimpagem ou compressão: como escolher
| Critério | Rosca | Crimpagem | Compressão |
|---|---|---|---|
| Ferramenta necessária | Nenhuma especial | Alicate de crimpagem | Ferramenta de compressão |
| Custo do conector | Mais barato | Intermediário | Intermediário |
| Facilidade pra quem nunca fez | Alta | Média | Média |
| Retenção mecânica | Fraca (pode afrouxar) | Boa (permanente) | Muito boa (permanente) |
| Possibilidade de correção | Dá pra refazer | Precisa cortar e recomeçar | Precisa cortar e recomeçar |
| Melhor uso | Reparo rápido, uma TV | Instalação fixa, várias pontas | Instalação profissional, condomínio |
Se você está resolvendo uma emergência (cabo quebrou no domingo à noite), rosca resolve. Se está fazendo a instalação definitiva da casa, crimpagem ou compressão vão evitar problemas nos próximos anos.
Da antena à TV: como conectar e sintonizar
Com as duas pontas do cabo montadas, a conexão física é direta:
- Rosqueie uma ponta na saída da antena (conector fêmea, geralmente na base da antena interna ou na caixa de conexão da externa).
- Rosqueie a outra ponta na entrada de antena da TV (indicada como “ANT IN”, “RF IN” ou um ícone de antena). A Globo orienta conectar o cabo na entrada TV/Antena/AR do televisor.
- Se a sua TV não tem conversor digital integrado, o cabo vai para o conversor, e do conversor sai outro cabo (geralmente HDMI) para a TV.
- No menu da TV, selecione a fonte como “Antena” ou “TV” (não HDMI, não AV). Depois, execute a busca automática de canais. Esse passo varia por marca, mas costuma estar em Configurações > Canais > Busca automática.
Se a antena for amplificada (ativa), ela precisa de alimentação. Antenas amplificadas normalmente usam cabo USB conectado à porta USB da TV ou a uma fonte DC. Sem energia, a antena ativa funciona como uma antena passiva (com desempenho menor).
Montou e o sinal não veio: diagnóstico passo a passo
Esse é o momento em que a maioria das pessoas troca de antena, compra amplificador ou culpa a emissora. Antes de gastar dinheiro, siga essa sequência:
- Confira a entrada. Parece óbvio, mas muita gente conecta na entrada “CABLE IN” ou “SAT IN” em vez da “ANT IN”. São entradas diferentes.
- Verifique se a busca de canais foi feita. A TV não sintoniza sozinha. Precisa rodar a varredura.
- Inspecione o conector. Puxe levemente o cabo: se o conector sai ou gira livre, a terminação falhou. Refaça.
- Olhe o pino central. Se está torto, curto demais ou empurrado pra dentro, o contato com a entrada da TV não acontece. Corte a ponta e monte de novo.
- Procure fios da malha tocando o centro. Esse é o erro mais comum e mais silencioso. Às vezes um único fio de cobre encosta no condutor e provoca curto que zera o sinal.
- Retire divisores e emendas do caminho. Conecte o cabo diretamente da antena à TV, sem nada no meio. Cada emenda e cada divisor é um ponto de perda. Se o sinal voltar, o problema está no acessório, não no cabo.
- Teste com outro cabo curto. Um metro de cabo novo com conectores novos elimina a dúvida: o problema é no cabo ou na antena/cobertura?
- Reposicione a antena. A Aquário orienta que antenas internas funcionam bem em regiões urbanas próximas às torres. Se você está longe ou tem prédios no caminho, a posição e a altura fazem mais diferença do que trocar o cabo.
Se depois de tudo isso o sinal continuar ausente, a questão provavelmente não é a montagem do cabo. Pode ser ausência de cobertura digital na sua região, antena incompatível (banda VHF quando o canal transmite em UHF) ou defeito no sintonizador da TV. Nesse ponto, um profissional com medidor de sinal resolve em minutos o que você levaria horas testando por tentativa e erro.
Cabo externo: vedação, proteção e cuidados
Dentro de casa, o cabo está protegido. Do lado de fora, água, sol e vento trabalham contra a conexão todos os dias. Um conector exposto à chuva oxida em semanas, e a oxidação é perda de sinal progressiva que você só nota quando já está ruim.
Para proteger a conexão externa:
- Aplique fita de autofusão envolvendo o conector e parte do cabo. O manual Aquário orienta vedar bem a conexão com borracha de silicone e/ou fita isolante de autofusão.
- Evite curvas apertadas no cabo. O raio mínimo de curvatura do RG6 é de aproximadamente 5 cm. Curvas mais fechadas deformam o dielétrico e alteram a impedância no ponto.
- Ao passar por conduíte, puxe o cabo antes de montar o conector. Puxar o cabo com o conector já montado é receita pra arrancar a terminação ou dobrar o pino central.
- Fixe o cabo com abraçadeiras a cada 50 cm em trechos verticais. Cabo balançando ao vento puxa o conector e cria fadiga mecânica.
Uma observação sobre segurança: montar o conector na bancada é seguro. Mas subir no telhado para fixar antena, passar cabo próximo à rede elétrica ou instalar aterramento já são tarefas que envolvem risco real. Instalações externas devem incluir proteção contra surtos entre a antena e o equipamento, com aterramento adequado. Se a instalação envolve altura ou proximidade com fiação, não improvise.
Divisores, emendas e múltiplas TVs
Se você tem mais de uma TV e quer usar a mesma antena, vai precisar de um divisor (splitter). O divisor divide o sinal, e cada saída recebe menos potência que a entrada. Um divisor de duas saídas perde cerca de 3,5 dB por saída. Um de quatro saídas perde cerca de 7 dB.
O que isso significa na prática: se o sinal da antena já chega fraco na primeira TV, dividir vai piorar. Se chega forte (perto das torres, antena externa bem posicionada), dividir funciona sem problemas para duas ou três TVs.
Cada ponto de emenda (adaptador F fêmea-fêmea) também adiciona uma pequena perda e um ponto de possível mau contato. Use emendas quando realmente necessário, não como padrão. Se o trecho permite um cabo contínuo da antena ao divisor, prefira.
Para sistemas maiores (condomínios, por exemplo), a orientação da Globo é que sistemas coletivos podem precisar de vistoria para verificar capacidade de receber canais digitais. Nesse caso, a montagem individual do cabo é só uma parte da solução.
Quando chamar um profissional
Montar um conector F num cabo coaxial é algo que qualquer pessoa consegue fazer com as instruções certas e um pouco de atenção. Mas a montagem do cabo é só uma peça da instalação de TV. Existem situações em que o investimento em mão de obra qualificada economiza tempo, dinheiro e evita risco:
- A antena é externa e precisa de mastro, fixação em telhado ou laje.
- O apontamento exige medição (áreas distantes das torres ou com obstáculos).
- O sistema é coletivo (condomínio) e mexer sem conhecimento pode derrubar o sinal dos vizinhos.
- Você precisa de aterramento e proteção contra descargas atmosféricas.
- O cabo precisa percorrer um caminho longo com passagem por conduítes, forros ou paredes.
Se a sua situação envolve qualquer um desses cenários, um profissional com medidor de sinal, experiência em apontamento e conhecimento de segurança resolve o problema de forma definitiva. Encontre um montador profissional perto de você no Montador Local e receba um orçamento sem compromisso.

Perguntas frequentes
Qual a diferença entre RG6 e RG59 para antena de TV?
O RG6 tem condutor mais grosso, dielétrico maior e menos perda de sinal por metro, especialmente em frequências altas usadas pela TV digital. O RG59 funciona em trechos curtos, mas para instalação nova o recomendado é RG6 de 75 ohms com blindagem dupla ou quad-shield. Confira se o conector é compatível com o diâmetro do cabo escolhido.
Posso montar o cabo de antena com estilete em vez de decapador?
Pode, mas o risco de cortar a malha de blindagem ou arranhar o dielétrico é alto. Cada corte errado enfraquece a blindagem ou cria ponto de curto. Se for fazer uma única vez e com cuidado extremo, funciona. Para mais de um cabo, o decapador coaxial custa entre R$ 25 e R$ 50 e compensa.
O que acontece se a malha encostar no condutor central?
Curto-circuito no sinal. A TV mostra “sem sinal” ou a imagem digital “quadricula” e congela. É o erro mais frequente na montagem. Dobre toda a malha para trás, inspecione antes de inserir o conector e, se o problema persistir, corte a ponta e refaça a preparação.
Minha TV precisa de conversor digital?
Se a TV não tem conversor digital integrado (modelos mais antigos), sim. A orientação da Globo é conectar o cabo da antena ao conversor externo e ligar o conversor à TV por HDMI. O cabo coaxial leva o sinal até o conversor; ele não transforma sinal analógico em digital.
Amplificador de sinal resolve qualquer problema de recepção?
Não. O amplificador aumenta o que a antena já capta. Se a antena não recebe sinal (por distância, obstáculo ou direcionamento errado), amplificar não cria sinal do nada. Primeiro posicione bem a antena e teste com cabo curto direto na TV. Só avalie amplificação se o sinal existir, mas chegar fraco.
Posso usar o mesmo cabo para TV e internet a cabo?
O cabo coaxial RG6 de 75 ohms serve tanto para antena de TV quanto para internet via cabo (sistemas HFC). A diferença está nos equipamentos nas pontas e na rede. Porém, não se deve compartilhar o mesmo trecho de cabo para os dois serviços sem os divisores e filtros corretos, pois a interferência entre sinais degrada ambos.