A cadeira rachou, você passou superbonder, esperou, sentou… e a cola soltou no mesmo dia. Se já viveu isso, o problema não é a sua técnica. A maioria das cadeiras plásticas no Brasil é feita de polipropileno, um material que rejeita colas comuns. Saber como colar cadeira de plástico quebrada começa por entender esse detalhe (e usar o adesivo certo). Para entender outros tipos de problemas em cadeiras, veja nosso guia completo sobre cadeira quebrada.
Aqui você encontra as colas que realmente funcionam em polipropileno, o passo a passo do reparo com reforço e também quando é mais seguro trocar a cadeira do que tentar colar.
Por que cola comum não funciona em cadeira de plástico
O polipropileno (PP) e o polietileno (PE) pertencem a uma família de plásticos chamada poliolefinas. Esses materiais têm energia superficial muito baixa, cerca de 30 mN/m. Na prática, a superfície do plástico “repele” a maioria dos adesivos. A cola não consegue molhar, espalhar e penetrar nas micro-irregularidades da peça.
Cianoacrilato puro (superbonder genérico), epóxi comum, cola branca (PVA) e cola quente sofrem do mesmo problema: endurecem sobre o PP, mas não criam ligação química real com ele. A cola descasca como uma etiqueta velha assim que a cadeira recebe peso.
A saída é usar adesivos formulados para poliolefinas, combinar cola com reforço mecânico (arame, parafuso, chapa) ou, idealmente, fazer as duas coisas juntas.

Descubra o tipo de plástico antes de comprar a cola
Vire a cadeira e procure o símbolo de reciclagem (um triângulo de setas com um número no centro). A maioria das cadeiras monobloco é injetada em polipropileno, identificado pelo número 5. Mas existem exceções, e cada plástico pede uma abordagem diferente:
- 5 (PP, polipropileno): o padrão das cadeiras monobloco. Exige adesivo específico para poliolefinas ou primer ativador.
- 2 (PEAD): polietileno de alta densidade, comum em cadeiras infantis e versões mais rígidas. Mesmo desafio do PP.
- 6 (PS): poliestireno. Cadeiras mais brilhantes e quebradiças. Aceita superbonder e solventes com menos dificuldade.
- 7 (Outros): inclui ABS, policarbonato e misturas. Mais fáceis de colar com adesivos convencionais.
Não achou o símbolo? Trate como PP. É melhor usar um adesivo mais potente do que apostar no mais fraco e refazer tudo em dois dias.
Colas que funcionam (e as que não funcionam)
A tabela abaixo compara os principais adesivos disponíveis no Brasil para cadeiras de polipropileno:
| Produto | Tipo | Funciona em PP? | Preço médio | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Loctite Super Cola3 Plásticos | Cianoacrilato + ativador | Sim | R$ 25-40 | Já vem com ativador incluso, sem etapa extra |
| Permabond POP + cianoacrilato | Primer + cianoacrilato | Sim | R$ 90-200 | Solução industrial de alta performance |
| J-B Weld Plastic Bonder | Uretano bicomponente | Sim | R$ 35-60 | 3.770 PSI de resistência; lixável em 30 min |
| Durepoxi (Loctite) | Epóxi bicomponente | Parcial | R$ 10-30 | Bom para preencher falhas, adesão limitada em PP puro |
| Araldite Profissional | Epóxi bicomponente | Parcial | R$ 18-40 | Funciona melhor em ABS e PVC do que em PP |
| Superbonder genérico | Cianoacrilato puro | Não | R$ 5-15 | Solta em horas quando aplicado em PP/PE |
| Cola quente (hot melt) | Termoplástico | Não | R$ 10-20 | Baixa resistência; serve só para fixação temporária |
| Cola branca (PVA) | Acetato de polivinila | Não | R$ 5-10 | Não adere a plásticos de nenhum tipo |
Para uso doméstico prático, a Loctite Super Cola3 Plásticos é uma das poucas colas de varejo que funciona direto no PP sem exigir primer separado. Para quem precisa de resistência máxima em cadeira de uso diário, o J-B Weld Plastic Bonder entrega uma das maiores resistências à tração do segmento.
E o Durepoxi? Funciona, mas com ressalvas. O Durepoxi é excelente para preencher falhas e criar volume, porém sua adesão em PP puro é limitada. Se for usar, lixe profundamente a superfície para criar sulcos de ancoragem e combine com reforço de arame ou chapa metálica.
Passo a passo para colar a cadeira do jeito certo
O método mais resistente para cadeiras de polipropileno combina adesivo com reforço mecânico. Cola sozinha não aguenta por muito tempo em peças que recebem peso.
Separe antes de começar:
- Adesivo para poliolefinas (Loctite Super Cola3 Plásticos, J-B Weld Plastic Bonder ou similar)
- Álcool isopropílico ou álcool 70%
- Lixa grossa (80 a 120)
- Arame galvanizado ou de nylon (cerca de 1 metro)
- Furadeira com broca fina (2 a 3 mm) ou um prego que você possa aquecer no fogão
- Luvas descartáveis
- Limpe a área da rachadura com álcool isopropílico. Retire gordura, poeira e qualquer resíduo. Sujeira entre a cola e o plástico mata a adesão.
- Passe lixa grossa nos dois lados da rachadura, numa faixa de pelo menos 2 cm. O objetivo é criar micro-sulcos que dão à cola uma superfície onde ancorar.
- Faça furos paralelos à rachadura, a cerca de 1 cm de distância dela, espaçados entre si por 2 a 3 cm. Use a furadeira com broca fina ou um prego aquecido no fogão (segure com alicate). Esses furos vão receber o arame.
- Passe o arame galvanizado ou de nylon pelos furos num padrão de zigue-zague ou “X”, costurando as duas partes da rachadura. Aperte firme, mas sem forçar o plástico a ponto de rachar mais.
- Com as partes alinhadas e o arame mantendo tudo unido, aplique o adesivo sobre a costura e ao redor dela. Se estiver usando cianoacrilato com ativador, passe o ativador antes e depois a cola. Para epóxi ou uretano bicomponente, misture conforme a instrução da embalagem.
- Deixe curar sem mexer. Cianoacrilato seca em minutos, mas atinge resistência total em 24 horas. Epóxi e uretano levam de 2 a 8 horas para cura parcial e até 24 horas para cura completa. Não teste antes do tempo.
- Remova excessos com estilete ou lixa fina (220+). Se quiser esconder a “cicatriz”, pinte com tinta spray para plástico ou aplique um adesivo decorativo por cima. Antes de usar normalmente, teste com peso progressivo: primeiro 30 kg, depois 50, depois 70. Se a cadeira ranger ou ceder, reforce.
Se a cadeira vai ficar exposta ao sol (varanda, área externa), prefira arame galvanizado ao de nylon. O nylon perde resistência com a radiação UV em poucos meses, e sua costura pode falhar justamente quando você menos espera.
Onde o conserto é seguro (e onde é perigoso)
Nem toda rachadura merece reparo. O local da quebra define se o conserto é viável ou se você está criando uma armadilha.
Áreas onde o conserto costuma funcionar:
- Encosto (parte superior): recebe pouca carga direta.
- Lateral do assento: trincas pequenas que não atingem a área de carga central.
- Apoio de braço: pouco peso, reparo simples.
Áreas onde consertar é arriscado:
- Pernas ou base: sustentam todo o peso do usuário. Falha aqui causa queda.
- Centro do assento: maior concentração de carga. Reparos raramente resistem ao uso contínuo.
- Junção perna-assento: ponto de estresse mecânico máximo. Se rachou ali, a estrutura já está comprometida.
Para ter uma ideia do risco: testes da PROTESTE em cadeiras plásticas monobloco reprovaram 4 de 6 marcas no ensaio de resistência ao impacto, aplicando uma carga de apenas 68 kg. Cadeiras novas já falham nesse teste. Uma cadeira consertada numa área estrutural tem ainda menos chance de aguentar.
Se a quebra é em parte que sustenta peso, troque a cadeira. Uma monobloco nova custa entre R$ 30 e R$ 80. Não compensa arriscar uma queda por economia de R$ 50. Veja também o artigo: Cadeira de Madeira Maciça Rústica: Como Escolher Sem Errar.
Consertar ou comprar outra: quando cada opção vale mais
A conta é simples, mas pouca gente faz antes de sair comprando cola.
Uma cadeira monobloco básica custa entre R$ 30 e R$ 80 no varejo. A Loctite Super Cola3 Plásticos sai por R$ 25 a R$ 40. Se o reparo exigir mais material (arame, lixa, primer ou um segundo tubo), o custo já se aproxima de uma cadeira nova.
Compensa consertar quando:
- A rachadura é pequena e fica no encosto ou em lateral sem carga.
- A cadeira é de marca certificada (Tramontina, por exemplo) e aguenta mais de 120 kg quando íntegra.
- Você já tem os materiais em casa.
- A peça tem valor sentimental ou é de um modelo que saiu de linha.
Compensa trocar quando:
- A quebra é em perna, base ou centro do assento.
- A cadeira já tem múltiplas trincas ou sinais de fadiga (plástico esbranquiçado, flexibilidade excessiva).
- Vai ser usada por crianças, idosos ou pessoas acima de 90 kg.
- É uma cadeira sem certificação Inmetro, do tipo que já foi reprovada em testes de resistência.
Cadeira de plástico é uma coisa que dá pra resolver em casa com os materiais certos. Mas quando o problema é em móveis maiores (guarda-roupa, estante, mesa, painel), reparo caseiro já não dá conta. Ajustes como regular dobradiças de armário também pedem cuidado específico. Nesses casos, encontre um montador profissional perto de você no Montador Local para avaliar a situação e fazer o serviço com segurança. Veja também o artigo: Como Arrumar Furo no Sofá sem Deixar Marca.

Perguntas frequentes
Superbonder funciona em cadeira de plástico?
Em polipropileno (PP) e polietileno (PE), o cianoacrilato puro não adere bem e solta em poucas horas. Para esses plásticos, use uma versão com ativador específico, como a Loctite Super Cola3 Plásticos. Em cadeiras de ABS ou PVC, superbonder comum funciona melhor. Veja também o artigo: Como Tirar Mancha de Estofado Sem Estragar o Tecido.
Durepoxi cola cadeira de plástico?
Funciona bem para preencher falhas e criar reforço junto com arame ou chapa, mas a adesão direta ao polipropileno puro é limitada. Lixe a superfície com vigor, crie sulcos profundos e combine o Durepoxi com ancoragem mecânica para um resultado que dure. Se quiser renovar o visual de outras superfícies plásticas em casa, veja também como envelopar geladeira e as cores de envelopamento de geladeira disponíveis.
É seguro sentar numa cadeira colada?
Depende do local do reparo. Consertos no encosto ou laterais sem carga costumam ser seguros para uso residencial leve (até 80 kg). Reparos em pernas, base ou centro do assento não são recomendados, pois o risco de colapso e queda é real sob uso contínuo.
Solda plástica é melhor do que cola?
Sim. A soldagem por ar quente derrete o próprio polipropileno e funde as partes, recriando a estrutura original. É o método mais resistente. Porém, exige equipamento específico (soprador térmico e vareta de PP) que custa entre R$ 200 e R$ 600, o que raramente compensa para uma única cadeira.
Qual a cola mais barata que funciona em cadeira de PP?
A Loctite Super Cola3 Plásticos (R$ 25-40) oferece o melhor custo-benefício entre as opções que realmente aderem ao polipropileno. O Durepoxi (R$ 10-30) é mais barato, mas precisa de reforço mecânico para funcionar em PP, o que adiciona trabalho e material ao reparo.
Cola quente funciona para colar cadeira de plástico?
Não para reparos que vão receber peso. A cola quente (hot melt) tem baixa resistência à tração e ao calor. Serve apenas para fixações decorativas ou temporárias. Para cadeiras que precisam aguentar carga de pessoas sentadas, use adesivo de engenharia ou epóxi com reforço.